Brasil entra na disputa global por minerais críticos

VEER INSIDER • GEOPOLíTICA ECONôMICA • 25 ABR 2026

O Brasil quer regular o setor de minerais críticos sem criar novos incentivos fiscais. A estratégia mira soberania nacional, processamento local e maior participação do país nas cadeias globais de tecnologia, energia e defesa.

A decisão acontece em um momento de forte disputa internacional. Estados Unidos, Europa e China buscam garantir acesso a minerais usados em baterias, semicondutores, veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos estratégicos.

Segundo a Reuters, o Ministério da Fazenda avalia que a demanda global já é forte o suficiente para atrair investimento ao Brasil sem grandes renúncias tributárias. O foco será criar regras para estimular valor agregado dentro do país, em vez de apenas exportar matéria-prima.

A pauta ganhou força após novos movimentos internacionais. Brasil e Alemanha assinaram um acordo para cooperação em minerais críticos e terras raras, com foco em pesquisa, inovação industrial e financiamento de projetos.

O governo brasileiro também apresenta a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos como uma agenda ligada à soberania, à transformação mineral no território nacional e à redução da vulnerabilidade externa.

O ponto central é simples: o Brasil não quer ser apenas fornecedor de minério bruto. O país tenta se posicionar como parte da cadeia industrial que transforma esses minerais em insumos para tecnologia, energia limpa e indústria avançada.

Impacto direto na economia brasileira

Esse movimento pode ter reflexo direto na economia do Brasil. Se o país conseguir atrair investimentos para refino, processamento e industrialização, poderá gerar novas plantas industriais, empregos qualificados e exportações de maior valor agregado.

Também há impacto para empresas brasileiras de mineração, energia, infraestrutura e tecnologia. A disputa global por minerais críticos pode aumentar o interesse estrangeiro por ativos no país, parcerias industriais e financiamento de novos projetos.

A pressão geopolítica é outro fator importante. Os Estados Unidos buscam reduzir a dependência da China em cadeias estratégicas, enquanto a Europa tenta diversificar fornecedores. Nesse cenário, o Brasil passa a ser visto como parceiro potencial por ter reservas relevantes e posição diplomática estratégica.

Desafio é transformar potencial em produção competitiva

Para o Brasil, o desafio será transformar potencial mineral em produção competitiva. Ter reservas não basta. O país precisa de infraestrutura, segurança regulatória, tecnologia, licenciamento eficiente e capacidade de atrair capital de longo prazo.

A decisão de não oferecer novos benefícios fiscais mostra uma tentativa de negociar de uma posição mais forte. Em vez de competir apenas por imposto menor, o Brasil quer usar a demanda global para exigir mais processamento local e maior participação na cadeia de valor.

Se funcionar, o país pode ganhar relevância em setores ligados à transição energética, inteligência artificial, defesa, eletrônicos e mobilidade elétrica. Se falhar, corre o risco de repetir o modelo histórico de exportar recursos naturais com baixo valor agregado.

A disputa pelos minerais críticos já deixou de ser apenas uma pauta de mineração. Agora, virou tema de economia, tecnologia e poder global.


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