Estados Unidos Intensificam Medidas Tarifárias Contra o Brasil em Contexto de Controvérsia Política
Brasil: aumento das tarifas e repercussões diplomáticas recentes
Os Estados Unidos anunciaram nesta semana uma escalada nas tarifas impostas aos produtos originários do Brasil. Na quarta-feira (9), o presidente americano Donald trump comunicou que novas taxas sobre importações brasileiras passarão a vigorar ainda entre os dias 9 e 10 de abril. Essa decisão ocorre após o governo dos EUA ter implementado, desde 2 de abril, uma sobretaxa de 10% sobre diversas mercadorias brasileiras enviadas ao mercado norte-americano.
Embora essa alíquota extra tenha sido considerada pela equipe econômica brasileira como a mais branda entre os aumentos aplicados a outros países, havia expectativa por parte do governo federal na possibilidade da redução ou suspensão dessa tarifa por meio de negociações comerciais. No entanto, nos últimos dias, Washington iniciou o envio formal de notificações para países paralisados nas conversas comerciais visando restabelecer ou elevar os tributos cobertos sob novas regras tarifárias – até o momento, Brasília não recebeu tal comunicado.
A declaração do presidente dos EUA ocorreu durante reunião com lideranças da África Ocidental na Casa Branca, momento no qual ressaltou insatisfação específica com as relações comerciais brasileiras: “O brasil não tem sido justo conosco. Estaremos divulgando uma nova taxa referente ao país entre hoje à tarde e amanhã cedo”, afirmou trump.
Conflito político: apoio público a Bolsonaro e reação brasileira
A tensão bilateral intensificou-se depois que Trump demonstrou publicamente suporte ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), criticando abertamente as investigações criminais contra ele no Supremo Tribunal Federal (STF). Essas manifestações geraram forte desconforto no Itamaraty, culminando na convocação do encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília, Gabriel Escobar.
A convocação oficial visou obter esclarecimentos acerca das recentes declarações do Departamento de Estado norte-americano e da própria Embaixada americana relacionadas ao processo judicial envolvendo Bolsonaro por acusações ligadas a suposta tentativa golpista – evento considerado grave dentro das práticas diplomáticas internacionais pela demonstração explícita de descontentamento brasileiro diante das interferências.
No dia anterior à convocação, nota pública divulgada pelo Departamento Americano classificou como “uma vergonha incompatível com as tradições democráticas brasileiras” as ações legais contra Bolsonaro e seus aliados. A postura foi reforçada prontamente pela representação diplomática dos EUA no país seguido pelo discurso direto presidencial nas redes sociais onde Trump definiu tais procedimentos como “caça às bruxas” dirigidas contra o ex-mandatário.
Segundo ele: “O povo brasileiro certamente não aceitará esse tratamento destinado ao seu ex-presidente”. Para Trump “único julgamento legítimo deve ser realizado pelas urnas”.
em resposta imediata às críticas externas vistas como ingerência indevida nos assuntos internos brasileiros, o presidente Lula utilizou suas plataformas oficiais para reafirmar soberania nacional afirmando que defenderá instituições independentes sem admitir qualquer tipo de tutela estrangeira.
Durante discurso finalizado na Cúpula dos BRICS realizada no Rio de janeiro disse ainda: “Este país tem leis claras e é governado pelo povo brasileiro; portanto pedimos respeito à nossa autodeterminação”.
Importante lembrar que esta é a segunda vez neste ano que autoridades americanas são chamados oficialmente para prestar informações acerca do posicionamento estadunidense frente às decisões internas brasileiras – anteriormente Escobar já fora solicitado para justificar casos relacionados à deportação indiscriminada de imigrantes brasileiros futuros reféns desse contencioso migratório.