Claro mira novas compras no Brasil após acordo bilionário com a Desktop

Claro mira novas compras no Brasil após acordo bilionário com a Desktop

Claro avalia novas aquisições no Brasil após acordo de R$ 4 bilhões com a Desktop, reforçando a disputa por fibra óptica e clientes em São Paulo.
VEER INSIDER • EMPRESAS • 26 ABR 2026

A Claro está aberta a novas aquisições no Brasil depois de fechar um acordo para comprar o controle da Desktop, provedora brasileira de internet com forte presença no interior de São Paulo.

A operação coloca a empresa, controlada pela mexicana América Móvil, em uma posição mais agressiva no mercado brasileiro de fibra óptica. O negócio também reforça a disputa entre grandes grupos de telecomunicações por clientes residenciais, empresas e redes regionais de banda larga.

Segundo a Reuters, o presidente da Claro no Brasil, Rodrigo Marques, afirmou que a empresa analisa oportunidades que aparecem no mercado, mas que não compra ativos apenas por comprar. A prioridade, segundo ele, é que qualquer nova aquisição esteja ligada às necessidades dos clientes.

A declaração veio após o anúncio da compra de 73% da Desktop por um valor empresarial de R$ 4 bilhões. O preço base da participação, depois de descontada a dívida líquida da empresa brasileira, ficou em cerca de R$ 2,4 bilhões.

O que está em jogo

A Desktop é uma provedora de internet de fibra óptica com presença relevante no estado de São Paulo. A empresa cresceu em cidades do interior paulista, uma região importante por combinar renda, empresas locais, expansão urbana e alta demanda por conexão de alta velocidade.

Para a Claro, a compra oferece uma forma rápida de ampliar sua presença em fibra óptica sem depender apenas da construção orgânica de rede. Em vez de começar do zero em novos municípios, a empresa passa a incorporar uma operação já existente, com base de clientes, infraestrutura e presença comercial.

A América Móvil informou em documento oficial que a aquisição da Desktop deve fortalecer a presença da Claro em São Paulo. A companhia afirmou que a Desktop complementa sua rede atual e pode melhorar a experiência dos clientes.

O movimento ainda depende de aprovação do Cade, órgão brasileiro de defesa da concorrência, e da Anatel, agência reguladora do setor de telecomunicações. Segundo a Reuters, a expectativa indicada pelo executivo da Claro é que as aprovações possam ocorrer até o fim do ano.

A disputa pela fibra no Brasil

O mercado brasileiro de banda larga passou por forte expansão nos últimos anos, impulsionado pela demanda por streaming, trabalho remoto, serviços digitais, educação online e operações de pequenas empresas. Nesse ambiente, a fibra óptica se tornou uma das principais frentes de competição entre operadoras.

O setor também é marcado por grande fragmentação. Além das grandes companhias nacionais, milhares de provedores regionais atuam em cidades médias e pequenas. Muitos desses operadores cresceram rapidamente, ganharam clientes locais e se tornaram alvos naturais de consolidação.

A compra da Desktop mostra esse movimento em escala maior. Segundo a H.I.G. Capital, que anunciou a venda de sua empresa de portfólio para a Claro, a Desktop cresceu de aproximadamente 150 mil assinantes para mais de 1,2 milhão de assinantes durante o período de investimento, com atuação em mais de 200 cidades do estado de São Paulo e uma rede de fibra superior a 58 mil quilômetros.

Esse tamanho torna a Desktop um ativo estratégico. Para a Claro, a operação amplia capilaridade em áreas onde a disputa por banda larga é intensa. Para concorrentes, o negócio aumenta a pressão por escala, eficiência e presença regional.

Impacto para empresas e consumidores

O impacto mais direto para o Brasil está na competição por conectividade. Internet de alta velocidade deixou de ser apenas um serviço doméstico e passou a ser parte essencial da atividade econômica. Pequenas empresas, comércios, escritórios, escolas, clínicas, indústrias locais e prestadores de serviços dependem cada vez mais de conexão estável.

Quando grandes grupos compram provedores regionais, o efeito pode ser duplo. De um lado, a empresa compradora pode acelerar investimentos, integrar serviços e ampliar pacotes combinados de telefonia móvel, internet fixa, TV e soluções digitais. De outro, reguladores precisam avaliar se a concentração reduz opções para consumidores e empresas em determinadas regiões.

Por isso, Cade e Anatel serão peças centrais. A análise não deve olhar apenas o tamanho nacional das empresas, mas também a sobreposição local de redes e clientes. Em telecomunicações, a concorrência pode variar muito de uma cidade para outra.

O El País destacou que a Desktop dá à Claro capilaridade imediata em municípios de alta renda no interior de São Paulo, uma área historicamente disputada por grandes operadoras. A publicação também apontou que a operação pode aumentar a pressão sobre outros grupos, como a TIM Brasil, para reforçar sua presença em fibra.

América Móvil reforça presença no país

A operação ocorre em um momento em que a América Móvil apresenta números fortes na região. Em seu relatório do primeiro trimestre de 2026, a companhia informou que a Claro adicionou 1,3 milhão de clientes móveis líquidos no Brasil, quase todos no segmento pós-pago.

A empresa também reportou aumento de receita no país. A receita total no Brasil chegou a R$ 13,3 bilhões no trimestre, alta de 6,8% na comparação anual. A receita de serviços móveis cresceu 7,8%, enquanto a receita de linha fixa avançou 2,8%.

No mesmo relatório, a companhia informou que o Ebitda no Brasil cresceu 6,7% em relação ao ano anterior, com margem de 44%. Esses dados ajudam a explicar por que o mercado brasileiro continua relevante para a América Móvil.

A Reuters também informou que a América Móvil registrou alta de 25,1% no lucro líquido do primeiro trimestre, apoiada por maior resultado operacional e menores custos financeiros. A companhia ainda citou o Brasil como líder nas adições de clientes pós-pagos.

Por que a notícia é relevante para o mercado

Para investidores, a notícia mostra que o setor de telecomunicações brasileiro ainda tem espaço para fusões e aquisições. A fala da Claro indica que a compra da Desktop pode não ser um ponto final, mas parte de uma estratégia mais ampla de consolidação.

Para empresas brasileiras, o avanço de grandes operadoras sobre ativos regionais pode mudar a oferta de serviços digitais. Pacotes corporativos, conectividade para lojas, internet dedicada, soluções em nuvem, segurança digital e serviços combinados podem ganhar mais escala, principalmente em regiões fora das capitais.

Para os consumidores, o resultado dependerá da execução da integração e das condições impostas pelos reguladores. A entrada de uma grande operadora em uma base regional pode trazer investimento e mais oferta de serviços. Mas a redução de competidores independentes também exige atenção sobre preços, qualidade e liberdade de escolha.

A compra da Desktop pela Claro, portanto, é mais do que uma transação de telecomunicações. Ela sinaliza uma nova fase da disputa por infraestrutura digital no Brasil. Em um país cada vez mais dependente de dados, fibra óptica e serviços conectados, quem controlar redes locais terá vantagem relevante na economia digital.

Fontes

Reuters: America Movil’s Claro open to further acquisitions in Brazil after Desktop deal.

Bloomberg: America Movil’s Claro Buys Majority of Desktop SA in $750 Million Agreement.

Reuters: America Movil posts Q1 profit up 25%.

América Móvil: First quarter of 2026 financial and operating report.

América Móvil: America Movil acquires Desktop in Brazil.

H.I.G. Capital: H.I.G. Capital Announces Sale of Brazilian Portfolio Company Desktop to Claro.

El País: América Móvil arrebata a Telefónica la brasileña Desktop.